Febraban Podcast #15 - O Novo Mercado de Restauração Florestal
Sumário Regulatório
Na Semana Nacional do Meio Ambiente, o novo episódio do Febraban Podcast conversa sobre o papel da restauração florestal na construção de um futuro sustentável. Muito além de plantar árvores, esta técnica vem se consolidando como um dos pilares da nova economia baseada na natureza ao conectar biodiversidade, clima, desenvolvimento regional e mercado financeiro.
Nesta semana, discutimos como o setor ganha escala no Brasil e no mundo, impulsionado por agendas como descarbonização, créditos de carbono e novos instrumentos financeiros voltados à conservação ambiental.
Com o avanço das metas globais de biodiversidade e eventos internacionais como a Conferência sobre Biodiversidade 2026, a COP 17, se aproximando – entre 19 e 30 de outubro em Yerevan, Armênia, se intensificam os esforços para transformar compromissos em ação concreta.
A partir da experiência de quem está na linha de frente dos projetos, o episódio mostra como a restauração ecológica evoluiu de obrigação ambiental para uma oportunidade econômica com impacto real.
Neste episódio, você vai entender:
- Por que restauração vai além do reflorestamento tradicional
- Como esse mercado se conecta ao crédito de carbono e às finanças sustentáveis
- Quais modelos de negócio estão viabilizando projetos em larga escala
- O papel do Brasil como potência em soluções baseadas na natureza
- Por que restaurar florestas também é investir em pessoas, clima e biodiversidade
Com Mariana Barbosa (Re.green) e Renato Rosenberg (Serviço Florestal Brasileiro), em conversa com Mona Dorf (Febraban).
Assista no YouTube ou ouça no Spotify.
Ficha Técnica:
Apresentadora e Editoria-chefe: Mona Dorf
Supervisão Geral e Co-apresentação: Carlos Cidra e Majory Marcelino
Supervisão e Produção: Bianca Braga, Julia Alcassa e Leandro Lemella
Roteiro, edição e produção: Rachel Cardoso, Lizely Naoum, Patrícia Travassos e Clovis Travassos
Edição de vídeo: Leonardo Reali e Kris Arruda
Videomaker backstage: Kris Arruda
Gravação: Supernova Cinematográfica
Transcrição e Conteúdo
do que é restauração ecológica. Como é
que esse [música] conceito difere do
reflorestamento tradicional?
>> Então, quando a gente fala em
reflorestamento, a gente tá falando em
colocar [música] árvore, floresta onde
não há floresta. Quando a gente fala de
recuperação de ecossistemas, [música] a
gente tá indo muito além de colocar uma
árvore num território. A gente tá
falando de...
do que é restauração ecológica. Como é
que esse [música] conceito difere do
reflorestamento tradicional?
>> Então, quando a gente fala em
reflorestamento, a gente tá falando em
colocar [música] árvore, floresta onde
não há floresta. Quando a gente fala de
recuperação de ecossistemas, [música] a
gente tá indo muito além de colocar uma
árvore num território. A gente tá
falando de recuperar [música] as funções
ecológicas daquele ecossistema,
recuperar os fluxos de água, a
biodiversidade, os animais e conseguir
prover esses serviços ecossistêmicos. A
grande ideia por trás da restauração,
[música] a grande ideia econômica por
trás da restauração hoje é aproveitar
que quando a floresta [música] tá
crescendo, ela absorve carbono da
atmosfera e, portanto, quem tá
restaurando pode certificar esse carbono
e vender isso no mercado, principalmente
no mercado voluntário internacional.
Olá,
hoje nós vamos falar sobre o mercado de
restauração ecológica, um setor que vai
muito além de plantar árvores e que já
movimenta a agenda de descarbonização,
mercado de carbono, taxonomia verde e a
nova economia baseada na natureza. Esse
tema ganha ainda mais relevância esse
ano porque o mundo está de olho na
conferência das partes, a COP 17 da
Convenção sobre diversidade biológica,
que acontece de 18 a 30 de outubro em
Yerevan, Armênia. Enquanto a COP 30
debate o futuro climático do planeta, a
COP 17 lembra que proteger a vida humana
e biológica é parte essencial da mesma
conversa. Será o momento em que os
países terão que mostrar o que avançaram
no marco global da biodiversidade coming
Montreal, um acordo que guia o mundo
para garantir um planeta vivo até 2050.
Esse acordo também aborda como financiar
essa agenda com destaque para novos
mecanismos como créditos de
biodiversidade e outros instrumentos
essenciais para ampliar a proteção da
natureza. Para falar desse cenário
global em movimento, entender o papel da
restauração ecológica e como ela se
conecta ao sistema financeiro, eu recebo
hoje aqui no estúdio a Mariana Barbosa,
diretora jurídica e de relações
institucionais da R Green, uma empresa
dedicada à restauração de florestas
nativas. Prazer em recebê-la aqui no
estúdio da Febraban. Prazer é meu. Muito
obrigada pelo convite. Tô muito feliz de
estar aqui presente, poder falar um
pouco desse setor que é uma apaixonante
nil,
>> sem dúvida. É um tema que a gente gosta
bastante, Mariana. E recebemos também o
Renato Rosemberg, diretor de concessões
florestais e monitoramento do Serviço
Florestal Brasileiro. Ele participa com
a gente remotamente de Belém no Pará.
Eh, até ontem ele esteve na comunidade
de Melgassa na região do arquipélago de
Marajó. Eh, não sei se você ainda tá aí,
mas seja muito bem-vindo.
>> Obrigado pelo convite, Mé aqui presente.
Mas a gente chegou hoje de manhã e aqui
no Belém vindo de Melgasto de Portel.
Bem, é uma região que eu não conheço,
mas certamente a conversa vai ser muito
boa. Eu sou Monadorf e convido você a
seguir com a gente. [sino]
Bom, gente, vamos começar esclarecendo o
que é restauração ecológica. Como é que
esse conceito difere do reflorestamento
tradicional, que é a primeira coisa que
as pessoas pensam, né? restauração é
restaurar a terra, a floresta nativa.
Podemos começar com você, Mariana, e o
Renato? Depois fica à vontade para
complementar.
>> Legal. Esse essa pergunta é super
importante porque acho que ainda há
muita confusão quando a gente usa os
dois termos. Eh, eu gosto de dizer que a
restauração ela é um subtipo de
reflorestamento. Então, quando a gente
fala em reflorestamento, a gente tá
falando em colocar árvore, floresta onde
não há floresta. Eh, isso pode ser tanto
florestas, uma único tipo de espécie ou
espécies diversificadas, espécies
exóticas ou espécies nativas. Isso pro
conceito de reflorestamento não faz
tanta diferença. Quando a gente fala de
recuperação de ecossistemas, a gente tá
indo muito além de colocar uma árvore
num território. A gente tá falando de
recuperar as funções ecológicas daquele
ecossistema, então conseguir fazer
levando espécies nativas daquele
biotipo, né, daquele sistema e bioma
específico daquela região, eh, e
conseguir recuperar os fluxos de água, a
biodiversidade, os animais e conseguir
prover esses serviços ecossistêmicos.
Então é muito além de colocar a árvore e
vai num conceito muito mais amplo e
tenta voltar para aquilo que era aquela
floresta original antes de haver um
processo de mudança de uso do solo, um
desmatamento e uma conversão. Então acho
que essa é a diferença é bem importante
pra gente ter em mente.
>> Quer dizer, basicamente é a recuperação
de todo o ecossistema, na verdade que
gira em torno da floresta. A água seria
o lençol freático que vem por baixo.
Isso inclui animais também, por exemplo.
>> Sim, até esse é um dos indicadores que a
gente monitora nas nossas florestas, eh,
porque é um elemento super importante
para entender se de fato aquele
funcionamento do ecossistema tá
voltando. Então, a gente olha uma
abordagem de paisagem também, né?
entender o que que era aquele lugar
antes desse processo, quando já falando
apenas um reflorestamento, não
necessariamente esse olhar para quais
eram as espécies que estavam naquela
localidade, eh como que era essa vida da
biodiversidade, são levados em
consideração. Então, acho que esse é um
ponto importante que você colocou
também,
>> Renato, não sei se você gostaria de
complementar, mas de qualquer forma eu
queria que você contasse rapidinho pra
gente o que que você faz aí nesse
projeto em Mel Gasto. E também a minha
pergunta é, olhando pelo lado
financeiro, como é que esse mercado de
restauração ecológica começa a se
consolidar de fato como um setor
econômico? Que modelos de negócio e de
financiamento tem surgido?
>> Perfeito. Eh, eu acho que a explicação
para Mariana foi perfeita. Eh,
só queria acrescentar dois pontos. A
floresta quando ela é conservada, quando
ela é restaurada, ela presta uma série
de serviços pro Brasil e pra humanidade,
né? por exemplo, ela ajuda a aumentar a
quantidade e o equilíbrio das chuvas no
sul sudeste do país. Isso é super
importante paraa agricultura e para
nosso pro nosso sistema energético. Ela
ajuda também a regular o clima e o
serviço da floresta presta pro mundo.
Então, quando a gente conserva e quando
a gente restaura a floresta, a gente tá
fortalecendo esses serviços que são
prestados.
que que eu vim fazer aqui no Pará, nas
comunidades de Melgasso e de Portel que
ficam na região eh de Maraju. A gente
veio monitorar algumas ações que o SUS
Florestal, o Ministério do Meio Ambiente
tem eh de concessões florestais. Então,
quando a gente concede uma floresta, que
foi tema de um episódio que a gente
discutiu, né, como espécie de PPP, parte
dos recursos que estão pagos para o
governo federal são automaticamente
transferidos pros estados e pros
municípios que a gente trabalha. Só que
esses estados e municípios, eles
precisam captar esse recurso e investir
na conservação ambiental. Foi isso que a
gente foi monitorar, como que os acudos
estão sendo eh executados sobre os
modelos de negócio, né? E eu acho que a
Mariana também pode falar muito bem
sobre isso, mas a grande a grande ideia
por trás da restauração, a grande ideia
econômica por trás da restauração hoje é
aproveitar que quando a floresta tá
crescendo, ela absorve carbono da
atmosfera e, portanto, quem tá
restaurando pode certificar esse carbono
e vender isso no mercado, principalmente
no mercado voluntário internacional.
Então esse é a grande chave de modelo
econômico da restauração.
Embora a gente, no serviço flestal, a
gente vem buscado outras formas de de
receita e de financiamento desses
projetos.
>> Mariana, então é a venda de crédito de
carbono a partir do crescimento da
floresta. É isso.
>> Acho que isso, mas não só isso, né? Acho
que, como o Renato bem colocou, não só o
serviço florestal, mas acho que a
própria setor privada tem olhado e
buscado outras formas de financiar essa
atividade. Eu acho importante colocar
que se antes a restauração no Brasil
tradicionalmente ocupava um espaço de
regularização ambiental, então quem tá
na área vai lembrar Código Florestal.
Antes disso, a o reflorestamento e
principalmente a restauração sempre
esteve presente como uma atividade para
regularizar imóveis que porventura não
tivessem conformidade com a legislação
ambiental. Eh, é importante trazer isso
porque o Brasil, se de um lado a gente
tá avançando e começando esse setor do
ponto de vista financeiro, de outro a
gente tem o privilégio também de
caminhar num país em que
institucionalmente há muitos atores
preparados. Então, a gente tem coletivos
biomáticos que já estão preparados para
olhar questão de mudas e sementes em,
né, lugares específicos, universidades
brilhantes, setores de pesquisa
avançando já na pesquisa sobre eh
restauração, floresta nativa. E tudo
isso, óbvio, que acaba sendo
impulsionado agora com crescimento, eh,
do ponto de vista do mercado privado,
mas isso tudo bebe nessa fonte de eh um
setor robusto, mas em menor escala,
olhando pra restauração como um
mecanismo de regularização. É, a
diferença é a entrada da restauração no
mercado de soluções baseadas na natureza
e e essa junção com o mercado de
carbono, trazendo mais possibilidade,
oportunidade pra restauração como uma
forma eh de permitir, de alavancar eh a
possibilidade, as oportunidades do
Brasil liderarem esse mercado da
transição energética e da
descarbonização. Então, quando a gente
olha pro potencial do Brasil, à luz de
tudo isso que já foi construído antes,
eh o potencial das florestas nativas
brasileiras eh sequestrarem esse
carbono, o potencial do Brasil enorme é
de conseguir usar esse mercado para
conseguir eh restaurar os seus biomas e
gerar esses benefícios que o Renato bem
trouxe na questão anterior, benefícios
climáticos, benefícios pra água, pra
biodiversidade, eh e pro próprio e o
mais importante, pro bem-estar da
comunidade, né? Quem mora perto de uma
floresta eh sabe que o clima, a
temperatura tende a ser mais amena, tem
mais serviços hídricos disponíveis,
então não é só também sobre a natureza,
mas também sobre pessoas. Eh, então acho
que isso é um elemento importante.
Quando eu digo sobre outras receitas
também, acho que tem um elemento que tem
crescido bastante no Brasil, que é a
agenda de cvicultura de nativas. Eh, o
Brasil lhe já é uma liderança no setor
de silvicultura de exóticas, pinos e
eucaliptos. Eu gosto de trazer um dado
que antigamente uma árvore eh no Brasil
exótica demorava do pinos eucalipto 30
anos para crescer. Com muito
investimento em PID, hoje em dia uma
árvore consegue amadurecer em 7 anos. É
isso que a gente tá buscando também
nesse lugar, conseguir alcançar esse
lugar na civilicultura de nativas para
permitir que florestas nativas gerem
outros valores, como por exemplo,
produtos madeireiros, além do crédito de
carbono também. Mas por que que demorava
antes mais tempo e agora demora menos?
com pesquisa e desenvolvimento,
conseguiram selecionar os clones de
melhores espécies e outras coisas para
conseguir fazer com que essa árvore
cresça mais rápido. Eh, então acho que
eu tô trazendo esse elemento da
silvicultura falar, a gente, o modelo da
Higreen é muito voltado para crédito
carbono, mas também tentar desenvolver
ciclos de silvicultura de nativas de um
único ciclo para conseguir eh trazer
outras receitas para que a gente consiga
ter dinheiro para conseguir restaurar
cada vez mais áreas também. Então acho
que isso é bem importante.
>> Realmente nos últimos anos nós vimos um
boom de modelos de projetos para
acelerar a restauração. Um exemplo é o
biomas com Itaú, Marfrig, Rabobank,
Santander, Suzano e Vale com
investimento inicial de R$ 55
milhõesais. Como iniciativas eh assim
podem acelerar a restauração e
transformar esses números em impacto
real paraa biodiversidade? Vocês podem
trazer outros exemplos? Vou começar com
o Renato agora.
>> Claro. Eu acho que o setor da
restauração vive um momento muito muito
bom, porque a gente tem novas empresas
entrando no setor, empresas que estão
capitalizadas. Você tem o poder público
selecionando áreas públicas que,
infelizmente, foram desmapadas nos
últimos anos. Então, e a gente tem
também BDS enem mecanismos de
financiamento para esses projetos e para
essas empresas.
Eh, de forma que a gente tem conseguido
estabelecer uma série de modelos e
projetos de restauração por todos, quase
todos os biomas do país. O exemplo que
eu queria dar concessão florestal de
restauração, o governo do Pará, exis do
ano passado. Então eles pegaram uma
região, um estado bastante degradada,
fizeram uma licitação, escolheram uma
empresa que vai restaurar e vai ficar
com os créditos de carbono dessa área. E
o governo federal vai fazer a mesma
coisa agora numa unidade de conservação
numa floresta nacional em Rondônia, a
floresta nacional do Bom Futuro. Então
lá a gente tem uma área de 100 haar, dos
quais 15.000 estão desmatados. A gente
quer selecionar duas empresas para
restaurarem essas áfrias e ficarem com
os créditos de carbono. Como a Mariana
colocou, tem outras fontes de receita,
tem outras atividades que podem ser
desenvolvidas.
Então, uma dessas atividades que a gente
também quer muito apoiar e desenvolver
e é a selvicultura de nativas, ou seja,
pegar espécies nativas para fazer a
restauração e para fazer da exploração
econômica dessas espécies ao longo do
tempo. Então, acho que tem vários
setores da sociedade aí olhando para
isso, tentando desenvolver esse setor.
>> Uhum. Gostaria de complementar. Acho que
assim, até trazendo um pouco do exemplo
da Higreen, a Higreen é uma empresa que
já tá há 4 anos no setor. A gente já tem
sobestão 35.000 haares eh de áreas,
tanto na Mata Atlântica quanto na
Amazônia. Já levantamos mais de R 400
milhões deais e já temos mais de 18.000
haar de áreas restauradas eh em nesse
processo desde 2021.
>> Em quais regiões?
>> Eh, na Bahia, Maranhão, Pará, Mato
Grosso, em diversos estados, mas a gente
tem focado principalmente na Mata
Atlântica e na Amazônia. Então, acho que
isso já mostra eh a maturidade do setor,
né? Ele já é um setor real. Eh, se antes
estava um pouco na ideia, agora já é um
setor real, não só com essa trajetória
da Riguin e de outras empresas do setor,
mas eu queria destacar, além desse ponto
super importante que o Renato trouxe
sobre a agenda de concessões forestais
que mostre o alinhamento de políticas
públicas com esse mercado e e entendendo
essa oportunidade que o Brasil tem eh de
avançar, mas também a própria agenda do
BNDS, né, o fundo do clima aí a gente já
o a Riguin já destravou eh mais de 185
milhões de reais, por exemplo, de acesso
ao recurso, né, do BNDS, justamente
paraa restauração dessas áreas, com
apoio de bancos privados também na
concessão de garantia e etc. Então, acho
que isso vai mostrando que não é a
construção de um setor, nenhuma empresa
vai fazer sozinha, mas também nenhum
governo vai fazer sozinho. Então, acho
que esses exemplos tanto da da agenda de
concessão, do BNDS com Fundo Clima, que
tem sido um ator super importante, dos
bancos privados destravando a questão de
garantias e das empresas também
executando e trazendo maturidade pro
setor, mostrando que há reputação, que
há capacidade de execução, vão
consolidando esse novo mercado. Então,
acho que esses são bons exemplos para
mostrar eh como isso tem avançado nos
últimos anos.
>> Bom, a gente vê aí como instituições tem
participado em projetos e oportunidades
de crédito verde, né? Muito bem. Eh,
reforçando então que restauração não é
apenas recuperar áreas, é também uma
estratégia real de descarbonização e
desenvolvimento regional, como demonstra
o Renato aí no Pará. E com a COP 17
chegando, essa conexão entre restauração
e carbono ganha ainda mais relevância.
Mariana, qual é o papel da restauração
ecológica como solução de remoção de
carbono e como esse impacto é mensurado
e verificado?
>> Acho que é uma ótima pergunta. Eh, o
papel da restauração, até fazendo um
ganch com a referência à COP 17, eu
gosto de falar que a restauração
florestal é uma das atividades que tem
relação com as três convenções que
nasceram da Rio 92. Então, ela é uma
atividade que remove carbono, portanto
tem uma conexão muito forte com a COP,
né, com a convenção quadra do mudanças
do clima. Ela restaura ecossistemas e
habitates de espécies nativas, portanto,
uma conexão muito grande com a convenção
de biodiversidade, mas ela também
restaura o solo. Eh, quando a gente tem
floresta e tem essa essa esse retorno da
da floresta, a gente também tá
melhorando a qualidade do solo, o que
também gera essa conexão com a convenção
e de desertificação. Então, acho bacana
a gente olhar para esse frame
internacional e entender a importância
da restauração e a relevância de todas
essas formas. Agora, obviamente que nada
se convence só no papel, então acho que
o monitoramento para para tem sido visto
cada vez mais como uma forma de mostrar
que o que tá sendo colocado no papel,
né, as belezas da restauração que a
gente tá aqui falando de fato estão
acontecendo. Então acho que isso
acontece com protocolos robustos de
monitoramento e é um ponto que a gente
vê que o mercado tá muito atento, né?
Então, não só eh de falar que foi feito,
mas de mostrar que foi feito. Então,
protocolos de monitoramento com
indicadores de biodiversidade e a gente
tem tecnologia para isso com câmera trap
e outras formas de verificar que aquela
biodiversidade tá presente, eh, formas
de verificar que aquele carbono foi
removido, a importância das empresas de
das entidades de certificação também
como Verra, eh, Etable Earth, Esometric,
são certificadoras que têm aparecido,
isso vai trazendo cada vez mais
credibilidade. Então, o que a gente
chama de MRV, né, monitoring, reporting
and verification, é uma estrutura muito
importante para que esse mercado tenha
cada vez mais reputação, para que a
gente consiga demonstrar cada vez mais
que todos esses benefícios que a gente
tá falando aqui, eh, tanto de remoção de
carbono, biodiversidade, eh, e solo, tão
acontecendo de fato, né? Então, acho que
são um setor que tem avançado e é uma
elemento chave na construção desse
mercado.
>> Uhum. E falando ainda de investimentos,
Mariana, você sente que existe ainda um
certo ceticismo sobre a capacidade de
escalar o mercado de restauro no Brasil?
Quais os principais desafios para tornar
esse mercado ainda mais robusto?
>> Eu já vejo avanços muito reais, né?
Então, quando a gente, se antigamente a
gente tava olhando para esse setor como
uma coisa muito mais eh na pequena
escala, eu acho que isso já é visto como
um setor real eh que tem benefícios e
que é um setor capacível de receber
investimento. Então, os exemplos das
empresas que a gente tá falando aqui na
Higuin, que já recebeu vário, recebeu
aporte, conseguiu destravar o crédito do
BNDS, já vai mostrando cada vez mais eh
que a gente tem conseguido demonstrar
capacidade de execução. Então eu diria
que isso é um elemento importante nessa
construção e na busca de investimento,
capacidade de execução, eh reputação,
eh a questão de de histórico também, né?
a gente conseguir, as empresas
conseguirem mostrar o que já foi feito.
Eh, o próprio ambiente do Brasil já é um
ambiente que mostra-se eh como há
capacidade técnica e de execução nessas
nessas eh nesse setor. O que eu acho que
ainda tem que são desafios como um setor
novo, acho que ainda tem as coisas, como
é que a gente vai mostrar eh ter cada
vez mais dados dessa remoção que foi
possível, eh como que essas florestas
estão crescendo. Então, acho que esse
histórico é natural que vá ser
construído com o tempo, como qualquer
setor, eh, como qualquer novo setor, mas
já vejo um avanço muito grande nessa
capacidade de atrair investimento e
demonstrar que é um investimento
rentável, que tem retorno financeiro, é,
que tem bases sólidas. Acho que isso já
tem avançado. E negócios, como, por
exemplo, do BNDS, Fundo Clima, eh, já
vão reforçando esse lugar, né? eh a
publicidade, saber quem conseguiu
acessar o fundo do clima, já vai dendo
um pouco dessa noção da maturidade do
setor. Acho que isso é um, é um elemento
também bem importante.
>> Renato, gostaria de complementar ou
podemos seguir?
>> Não, eu acho a visão do Morina
extremamente precisa. é um ecossistema
que já foi construído, mas que tende a
crescer muito, tende a ter novos
players, novas áreas, novas tecnologias
e vai se retroalimentando
eh com geração de emprego, com
restauração ambiental. Então é um setor
que gera muitos impactos socioambientais
positivos. [roncando]
>> Deixa eu falar de uma coisa aqui antes
da gente terminar. A Green conquistou o
Earth Shot Price, o considerado Oscar, o
prêmio Oscar da Sustentabilidade,
recebeu 1 milhão de libras, eh, supera
quase 3.000 concorrentes e um
reconhecimento global enorme pra empresa
brasileira. O que que um prêmio desse
tamanho representou no setor, Mariana?
Imagino que essa visibilidade
internacional ajuda também a abrir
portas, né, para mais investimentos,
parcerias, inovação, investimento lá de
gente do estrangeiro também.
>> Sem dúvida. Acho que foi, costumo dizer,
para além de, né, conhecer o príncipe
Williams, que já foi uma honra, eh, acho
que não posso negar que os benefícios e
esse reconhecimento do Red Shot vão
muito além da Hreen, né? Acho que pra
Higuin coroa essa trajetória que tem
sido muito bem sucedida, eh, de
conseguir nesse pouco espaço já chegar
nesse valor de 35.000 ha sob gestão e
esse volume de restauração também de
17.000 hatares, mas eu acho que é um
reconhecimento do setor. Eh, a gente não
estaria nesse lugar sozinho. Então, acho
muito bacana conseguir colocar eh o
Brasil num spot internacional, conseguir
colocar este setor da restauração nesse
lugar, conseguir colocar a floresta
brasileira nesse lugar, né? A narrativa
de poder falar sobre os empregos que são
gerados, sobre a ciência que tem por
trás, por projeto tem uma média de 42
empregos gerados por hectare, né, dentro
a cada 2 haares restaurados. Isso é uma
média que vem de pesquisa, mas a gente
tem exemplos assim de tanto empregos que
são gerados na implantação dos projetos,
mas também de outras cadeias da
sóciobioconomia que são gerados a partir
da própria atividade. Então a gente já
tem dados levantados de cadeias que
conseguem gerar cerca de R$ 5 milhõesais
de lucro em comunidades que antes não
tinham esse acesso por meio de a cadeias
como mel, açaí. Então isso tudo a partir
da floresta para além da floresta
restaurada, permitir que a comunidade eh
consiga desenvolver essas atividades
dentro das florestas vai ser super
importante. Mas eu diria que o principal
elemento de Shot é de fato colocar o
Brasil eh nesse lugar mundial e mostrar
que o Brasil pode sim oferecer soluções
importantes, não só pra nossa trajetória
nacional de descarbonização, mas pra
trajetória mundial, né? é um crédito, é
uma remoção de carbono com integridade,
com benefícios sociais, com benefícios
da biodiversidade, com benefícios
climáticos. Então, a gente tem tudo para
oferecer esse melhor produto nesse
mercado que vai ser global e não só
brasileiro. Bom, agora paraa gente
encerrar, eu queria uma reflexão rápida
de cada um de vocês, começando pelo
Renato, qual deve ser a prioridade
número um do Brasil até a COP 17 para
mostrar o mundo que nós estamos
avançando de verdade na proteção da
biodiversidade, Renato,
>> a gente precisa reduzir ainda mais o
desmatamento, o nosso grande ativo,
a nossa floresta
atlântica são nossos biomas e
conservá-los e restaurá-los é a premissa
número um.
Bom, acho que é isso, né, Mariana? Temos
algo a complementar. A gente tá nesse
também nesse desafio, aprovação de PMB,
né, o Plano Nacional de Biodiversidade.
Eh, mas acho que conseguir também
mostrar essas soluções locais que estão
acontecendo e como que a gente consegue
avançar eh na mensuração da dos ganhos
de biodiversidade. Acho que é um outro
elemento importante para que a gente
consiga valorizar cada vez mais as
florestas e a restauração e a
conservação.
>> Vocês participam dessa COP 17 em EREvan?
Sim.
Renato também
>> participamos das últimas duas também.
>> O serviço florestal vai participar? Eu
pessoalmente não.
>> Bem, muito bem. Quero agradecer muito a
presença de vocês, da Mariana Barbosa,
da Rreen e do Renato Rosenberg do
Serviço Florestal Brasileiro. A
restauração ecológica está deixando de
ser um custo ambiental e se tornando uma
nova fronteira da economia verde com
impacto direto no mercado de carbono, na
agenda de descarbonização e na
construção de um sistema financeiro mais
sustentável. E agradeço também a você
que nos acompanha sempre aqui nos nossos
podcasts. Até o próximo episódio.
Lorem ipsum dolor sit amet, consectetur adipiscing elit. Sed do eiusmod tempor incididunt ut labore et dolore magna aliqua. Ut enim ad minim veniam, quis nostrud exercitation ullamco laboris nisi ut aliquip ex ea commodo consequat.
Duis aute irure dolor in reprehenderit in voluptate velit esse cillum dolore eu fugiat nulla pariatur. Excepteur sint occaecat cupidatat non proident, sunt in culpa qui officia deserunt mollit anim id est laborum.
Acesso Exclusivo para Assinantes
Cadastre-se ou faça login com sua conta do Radar Finsiders Brasil para visualizar esta regulação na íntegra, fazer download dos arquivos e ter acesso a relatórios exclusivos do mercado financeiro.